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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Um papo sobre HIV


Certa vez Carlos chegou em meu escritório com um envelope na mão. Sua perturbação era notória. O envelope era nada mais, nada menos do que um teste de sorologia feito recente, ainda não aberto por falta de coragem; ficando para mim a missão de abrir e dar o resultado.

Por não se tratar de uma tarefa agradável e devido o estado de Carlos, optei por deixar o envelope de canto por algum tempo. Lhe ofereci um café enquanto se iniciava uma conversa despretensiosa.

domingo, 29 de abril de 2018

A Vocação de Pessoas com Atração pelo mesmo Sexo



Geralmente pessoas que possuem conflito com atração pelo mesmo sexo pensam em celibato, isso é normal, mas esse pensamento pode evidenciar algo a mais.

Algumas pessoas não sabem a diferença entre ser casto ou ser celibatário.

Castidade, ou pureza sexual, como alguns chamam é para todos, não importa a tendência sexual. O Sexto Mandamento é “Não pecar contra a castidade”. Isso é para todos, inclusive para casais.

Celibato, segundo o nome em si é alguém que não casou e não necessariamente alguém que se abstêm de relações sexuais, mas alguém que optou por não casar. O termo em geral é usado para representar pessoas que consagraram sua vida em dedicação total de amor e serviços a Deus e por isso optaram por não se casar.

Então, quando uso o termo “celibato” estou me referindo não apenas a negação do casamento, mas à consagração religiosa. Qualquer pessoa pode escolher o celibato por diversos motivos, mas só o religioso consagra sua vida.

É comum pessoas com atração pelo mesmo sexo exercerem cargos de destaque em igrejas ou pastorais. Não que todos os cargos sejam ocupados por pessoas com atração pelo mesmo sexo, na verdade a minoria o é, mas pessoas em tais condições são mais propensas a ocupar cargos de destaque, principalmente em áreas de música, ensino e assistencialismo.

Isso mesmo de forma inconsciente supre parte da carência de aceitação, atenção e reconhecimento, não que isso seja um problema, mas pode acabar mascarando a raiz das necessidades emocionais.

Com isso, muitos preferem se dedicar a trabalhos eclesiásticos a se preocupar com relacionamentos afetivos e assim usam o celibato como um escape social, é comum ouvir frases do tipo: “Estou ocupado cuidando de trabalho pastoral, não tenho tempo para me preocupar com relacionamentos”. Assim, muitas pessoas mascaram ou se acostumam com a atração pelo mesmo sexo até resolver se entregar de vez a vida de celibato.

Isso é errado?

segunda-feira, 23 de abril de 2018

I am Michael e Michael Lost and Found - Comentário

Recentemente assisti as produções “I am Michael” (2015) e “Michael Last and Found” (2017), a primeira se trata de um longa sobre a vida de Michael Glatze, ex- ativista gay, atualmente ativista cristão ex-gay, e a segunda é um curto documentário que visa dar alguma continuidade ao filme, respondendo a curiosidade de muitos sobre como Glatze estaria atualmente.

Por ter maior visibilidade e distribuição, darei maior atenção à primeira produção.
Não só no elenco (James Franco, Zachary Quinto e Emma Roberts), mas também na direção (Justin Kelly) fica evidente se tratar de pessoas envolvidas em outras produções pró-LGBT. Os evolvidos evidenciam também não se tratar de um filme cristão, apesar do estilo “filme gospel” ser uma crescente.

Bastaria ver o elenco e direção para dispensar o filme sem o menor esforço, mas conheço o trabalho de Michael Glatze e mesmo não concordando 100%, não posso negar seu impacto e importância que teve na vida de inúmeras pessoas no aspecto da atração pelo mesmo sexo e religião cristã. Então, isso fez pesar a minha curiosidade em ver no que daria essa mistura entre um trabalho de conversão sexual e ativismo pró-LGBT dos envolvidos.

Era uma tragédia anunciada, mas eu me segurei ao fio de esperança, afinal de contas estávamos falando de Michael Glatze e ele não jogaria sua história no lixo de tal forma. Ou jogaria?

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Atualizações

Finalmente o blog retorna ao ar e com ele algumas perguntas essenciais: "O que aconteceu?" e "veio para ficar?"

Existe um pré-julgamento, que particularmente considero maléfico, que se baseia em que qualquer afastamento de trabalhos ligados à sexualidade está ligado diretamente a problemas de ordem moral.
Apesar de reconhecer que isso é um caso comum, felizmente, esse pré-julgamento está equivocado.

Infelizmente, essa "torcida contra" é maior do que os apoiadores, mas mesmo assim, nem tudo nesse "universo" se baseia em questões de ordem moral.

Quando esse projeto começou, ele não tinha grandes pretensões e se espelhava em trabalhos já existentes e mais maduros (entre eles o Closet Full e o Bússola Masculina, que atualmente não existem mais, e os operantes Joel e Courage), porém tentando fugir do "mais do mesmo" e trazendo pra si uma perspectiva cristã católica (visto que a maioria dos trabalhos é protestante e nem sempre tem uma linha moral adequada), mas que não parasse apenas no catecismo, mas trouxesse aspectos da sexualidade em outras áreas da ciência.

É evidente que um trabalho com tal missão é bastante ousado, ainda mais em solo brasileiro onde os recursos disponíveis são escassos.

Mas assim seguimos, sim, "seguimos", o trabalho não é de um homem só, por mais que nem todos estejam em igual evidência, seria impossível tal trabalho contando apenas com dois braços.

Quando você se dispõe a ir além do habitual, você se sujeita a entrar em áreas de confronto e se depara com questões e aprendizados que às vezes requer tempo para ser solucionado.

Foi o avanço em algumas questões que ocasionaram uma pausa no trabalho e, agora, é exatamente esse avanço e a clareza dessas questões que nos trazem de volta à atividade.

Atualmente, em 2018, tenho aproximadamente quase 10 anos de experiência e vivência em lidar com a questão: fé, homossexualidade e mudança. Isso nem de longe faz de mim um PhD no assunto, mas me considero um observador e como tal um aprendiz.

Há aproximadamente 03 anos comecei a me questionar sobre a eficiência desse tipo de trabalho. Conversei com alguns colegas de trabalho tanto dentro como fora do país e encontrei dois grupos: Aqueles que estavam surpresos com o questionamento, pois nunca pensaram em fazê-lo e aqueles que estavam ansiosos pela resposta. Rsrs.

E isso passou a ser meu objeto de estudo por um tempo. Digo por um tempo,  pois questões pessoais me faziam oscilar na persistência rumo ao alvo.

Em determinado momento, eu descobri que eu não tinha essa resposta, mas tê-la era fundamental não só para a manutenção como para a existência do trabalho.

Foi o início da pausa.
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